segunda-feira, 15 de julho de 2013

Assim...

Que tal me dizer que não é verdade? Que estou sofrendo a toa! Que isto é invenção e que não aconteceu? Que tal me pegar no colo, me ninar, enxugar minhas lágrimas e me por a dormir? Porque não me dizer - te amo, sou louco por você?! Não podes? Então fica ai caladinho e esquece-me aqui. O choro passa e, amanhã me refaço e parto para novos e longos caminhos, onde encontrarei mais flores e também espinhos. É... A vida é assim. O choro de hoje pode ser o sorriso de amanhã... E, é, em busca desse amanhã, ou melhor, desse sorriso que parto com a certeza de que encontrarei muito mais do que o que aqui deixei... Sou assim! O que ficou é passado e não se vive! O que preciso é de um futuro vivo!

Incoerência

Não é assim tão fácil viver - Não é porque eu digo que a felicidade pode ser alcançada, que, necessariamente, eu seja feliz todos os dias.
A felicidade se conquista a cada minuto e pode-se perder esta mesma felicidade no minuto seguinte. Incoerente? Claro! A vida é totalmente incoerente. Não existem regras, por mais que você as estabeleça elas poderão ser quebradas sem a sua permissão. É... A vida não lhe pede permissão para agir, não precisa de você para mudar a próxima estrofe do seu viver... E é nisto que me pego para ser feliz... Se eu não posso controlar, mudar, estabelecer o que vai ser minha vida no próximo minuto. Eu posso decidir que neste minuto eu vou ser feliz... O próximo talvez eu não consiga e entre em um sofrimento terrível, mas se este sofrimento vier eu vou encontrar forças porque eu sei que assim como a felicidade que tive minutos atrás, ele também vai passar e eu posso voltar a ser feliz. Incoerente novamente! É... Mas assim é que vivo! Nesta metamorfose constante!

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

O louco e o jasmineiro

Contrastando com o branco das flores do jasmineiro, que lhe dava sombra, ele vestia sempre preto.
No sol do verão sertanejo assombrava-me as mangas compridas e a calça grossa, como se o frio sulista fosse chegar logo por ali.
Quis saber sua história, já que no décimo terceiro dia de minha estada na casa de parentes, o tédio da cidade pequena começava a incomodar e aquela jovem criatura devia ter algo de interessante para preencher os dias que ainda estavam por vir.
Passar o dia sentado em uma cadeira à sobra de um pé de jasmim vestindo negro não era normal, não para mim.
A explicação era simples. Ele é louco! Disse-me minha tia, sem meias palavras.
Certo. Ele era louco, isto eu tinha percebido. O que eu queria saber era o porquê daquele comportamento. Qual o motivo de vestir sempre negro e com tantas árvores mais frondosas por que ele escolhia a que menos lhe protegia do sol.
Na verdade ele tinha mais idade do que aparentava. Trinta e quatro anos e a onze tinha entrado em depressão até chegar à loucura. A doença foi segundo dizem, em consequência do suicídio de sua noiva, que não se sabe por que motivo resolveu se enforcar no pé de flores tão belas. Estavam de casamento marcado e a festa planejada nos mínimos detalhes se transformou em velório poucos dias antes da data prevista.
Segundo os conhecidos do rapaz, ele começou a visitar amiúde o jasmineiro e com o passar do tempo e o agravamento da doença também a vestir-se de preto, em luto constante pela amada morta.
Gostaria de ter sabido o motivo do suicídio, mas segundo o que se sabe a noiva levou o segredo para o túmulo.
Não foi uma história muito animadora para complementar umas férias sem sal, mas pelo menos serviu para esquecer um pouco a monotonia do lugar e pensar que o amor dele devia ser verdadeiro ou um caso de doença degenerativa aguda do cérebro. Prefiro a primeira hipótese, é mais romântica e termina de maneira menos brutal esse texto. O amor sempre será o melhor dos sentimentos, até quando transforma homens sãs, em homens loucos de amor.

Doutor sabe tudo.

Como existe no mundo gente que se acha! Da limonada com certeza será sempre o limão, coitado não sabe que a água e o açúcar também são importantes. Daquela salada de frutas ele será sempre a fruta mais nobre, quando muito a laranja, não sabe ele que tem muita gente que não gosta de ou de outro ou dos dois. Sempre a pensar que é a bala que matou Jonh Lennon esquece sem querer a arma e a mão que a conduziram. Sem titubear se vê a calda do pudim de leite, na certa esquecido dos ovos e do leite condessado que faz a gostosura. Para essas pessoas as outras nunca falam coisa com coisa, nunca serão capazes de entender o que os "gênios" pensam e muito menos o que eles dizem, além disso para os donos da verdade as pessoas que falam do que elas não gostam são sempre medíocres. E sempre tem aquela frase - não mereço ouvir isto! - Acorda gente! Somos todos aprendizes nesta vida e não importa quantos doutorados alguém tenha, sempre existirá um assunto que ele não domine e sempre existirá alguém que poderá ensinar-lhe alguma coisa. O melhor professor é a vida e esta ensina a todos sem distinção de classe, cor, credo, raça etnia e tudo o mais que parece diferenciar os humanos. Sempre que vejo alguém querer ser muito mais que os outros fico a pensar em algo que li sobre um certo doutor que perguntou ao caboclo nordestino - Onde vai esta estrada? Ao que o caboclo respondeu: a canto nenhum doutor, ela não anda! Pois é. Todos somos aprendizes de uma mesma professora. A vida. Existe ainda os que mesmo não sendo doutores agem como tal e até alardeiam que o são, não tendo a menor cerimônia pelos três a quatro anos que os doutores passam pesquisando para a conclusão de sua tese e suando frio na hora de enfrentar uma banca de examinadores para poder adquirir o título, mas mesmo estes, são doutores em algo e não em tudo. Seria bom que ao falar de algo que foi dito alguém tivesse a inteligência de não ser tão óbvio ao se achar o dono da verdade. Todos somos livres para gostar de algo, porém menosprezar ou desdenhar de alguém pelo simples fato de não gostar não é nada bonito.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

A rosa, rosa

Bem no cantinho estava ela.

Linda! A mais bela entre as belas.
Toda vestida de rosa, tal qual a
jovem pura do reino encantado.
Do seu pedestal parecia apreciar
que todos a admirasse... Afinal
tinha nascido para ser admirada.
A natureza tinha se esmerado
nos seus detalhes. O trabalho
do criador fora perfeito.
Tudo nela era beleza...
Da sua rósea cor a sua pétala aveludada.
Cada pétala nela contida fora feita
para encantar quem a visse.
Que importava  os espinhos...
Não era para ser tocada.
Apenas admirada...

A Fada

Comecei a perceber que ela era uma fada, tão logo a conheci. Havia nela tão intensa luz,que com certeza, não seria desse mundo concreto. Não era possível existir ser mais celestial que aquele.
Ela tinha brilho próprio como se a sua volta houvesse um elo de luz. Parecia ser toda de marfim, mas os olhos tinham a cor do jade e os seus cabelos tinham sugado da abelha rainha sua cor dourada. Sua voz era um sopro divinal, parecia falar de amor a cada vez que aqueles lábios se distendiam para mostrar quanto perfeito eram aqueles dentes de marfins.
Terminada a inspeção e tendo decidido que estava diante de uma fada, restava-me saber o que fazer. Na verdade, não era uma situação que um mortal estivesse acostumado e, se tratando deste aqui, isso se tornava ainda mais complicado. Não estava preparado para assumir o papel de interlocutor de um ser sobrenatural, na verdade, falar, conversar não era muito a minha praia, eu quase sempre não me dava bem quando tinha que bancar o orador, mas... Já que não tinha outro para fazer o papel de otário, lá fui eu.
As pernas estavam hirtas e a língua parecia que tinha crescido tanto que a senti enrolar dentro da boca, as mãos tremiam que só dente de leite quando mole. Dei alguns passos, na verdade três e parei. Para chegar junto à divinal tinha que continuar. Juro que quis ir à frente, mas as pernas não obedeciam e o cérebro ficou exatamente congelado quando ela sorriu. Que sorriso! Era como se o sol da primavera estivesse invadindo o recinto e com ele trouxesse as flores mais belas e coloridas para alegrar o dia.
Confesso: não consegui andar mais, todavia isto não foi preciso. Aquele ser movimentou-se, o que fez a luz caminhar em minha direção e meu coração descongelar e acelerar tal qual o motor da Ferrari na última volta para ganhar o campeonato. Pareceu-me ter se passado horas até que, pela primeira vez ouvi o mais belo solfejo que alguém já escutou.
- Bom Dia. Por favor, estou perdida o senhor pode ajudar-me a encontrar este endereço?
- Oooooooo... end... ender... endere... endereçooooo?
- Sim. Este endereço aqui. O senhor pode me ajudar?
- Cl... clar...claro. Claro, posso sim.
- Onde?
- Onnnnde o queeee?
- Senhor! O senhor sabe dizer onde fica este endereço?!
- Seiiiiiiiii.... Posso lhe levar lá.
- Então, vamos...
- Onde?! Ah! Sim, vamos.
E caminhamos, ou melhor, eu caminhei a minha fada deslizou por sobre as flores que o Ipê amarelo jogou ao chão em meio a setembro.
Passamos por bosques e rios, cachoeiras e prados, castelos de sonhos e vi até uma cotovia se escondendo do sol, e ai chegamos ao endereço.
Na verdade era um endereço que eu conhecia bem. Ainda poucos dias tinha ali deixado um amigo que se acidentara. E alguns meses atrás aquela velhinha que morava em minha rua também tinha se mudado definitivamente para lá.
De repente, percebi que minhas pernas agora não obedeceriam mesmo e que o pânico tomava-me o corpo por inteiro. Meus dentes não eram mais de leite, se fosse eu não ouviria aquele bater de ossos que eles faziam sem parar. Minhas mãos estavam escorregadias e meus olhos fechados.
Claro, não abriria os olhos nem por ouro, nem por prata, nem por sangue de alazão!
Lembrei-me em tal má hora, que era noite e que não havia sol, que não podia ter visto flores de Ipê amarelo fazendo tapete no chão, nem tínhamos chegado a meados de agosto e a primavera começa em setembro. Em que dia mesmo...? Não importava. O que interessava mesmo é que era dia treze de agosto. Sexta feira treze. E para maior desespero o relógio da matriz a minha frente marcava doze horas menos um quarto!
Correria. Se eu tivesse minhas pernas, mas como não as sentia! Não via, não escutava e não sentia coisa alguma. Pensei por um momento - Virei estátua. Isto com certeza seria até bom. Evitaria o que quer fosse acontecer.
Mas como diz um amigo, depois do ruim vem sempre o péssimo e depois da tempestade nunca vem à bonança, meus sentidos resolveram voltar exatamente nas doze badalas do relógio episcopal.
Ao mesmo tempo em que abri os olhos, senti uma mão gelada tocar o meu rosto e uma voz gutural gritar:
- Acorda menino! Deixaste a janela aberta! O quarto está todo molhado. Se não fosse o despertador me acordar irias acordar todo molhado e pegar um resfriado!
Pegar um resfriado podia até ser que acontecesse.
Quanto ao molhado...
Fui tomar banho!

Louco Andarilho

Caminho vestindo farrapos...
Rumo ao norte ou sul, nascente ou poente.
Que importa o lugar? Oriente ou ocidente.

Sou andarilho de estilo andrajoso...
Prá onde vou indo vestindo farrapos?
Alasca, Suíça, Rio Grande ou Marrocos.

Qual o meu caminho? O ditado pela precisão!

Aos sãs de corpo e alma esmolo o meu pão.