quarta-feira, 3 de agosto de 2011

O louco e o jasmineiro

Contrastando com o branco das flores do jasmineiro, que lhe dava sombra, ele vestia sempre preto.
No sol do verão sertanejo assombrava-me as mangas compridas e a calça grossa, como se o frio sulista fosse chegar logo por ali.
Quis saber sua história, já que no décimo terceiro dia de minha estada na casa de parentes, o tédio da cidade pequena começava a incomodar e aquela jovem criatura devia ter algo de interessante para preencher os dias que ainda estavam por vir.
Passar o dia sentado em uma cadeira à sobra de um pé de jasmim vestindo negro não era normal, não para mim.
A explicação era simples. Ele é louco! Disse-me minha tia, sem meias palavras.
Certo. Ele era louco, isto eu tinha percebido. O que eu queria saber era o porquê daquele comportamento. Qual o motivo de vestir sempre negro e com tantas árvores mais frondosas por que ele escolhia a que menos lhe protegia do sol.
Na verdade ele tinha mais idade do que aparentava. Trinta e quatro anos e a onze tinha entrado em depressão até chegar à loucura. A doença foi segundo dizem, em consequência do suicídio de sua noiva, que não se sabe por que motivo resolveu se enforcar no pé de flores tão belas. Estavam de casamento marcado e a festa planejada nos mínimos detalhes se transformou em velório poucos dias antes da data prevista.
Segundo os conhecidos do rapaz, ele começou a visitar amiúde o jasmineiro e com o passar do tempo e o agravamento da doença também a vestir-se de preto, em luto constante pela amada morta.
Gostaria de ter sabido o motivo do suicídio, mas segundo o que se sabe a noiva levou o segredo para o túmulo.
Não foi uma história muito animadora para complementar umas férias sem sal, mas pelo menos serviu para esquecer um pouco a monotonia do lugar e pensar que o amor dele devia ser verdadeiro ou um caso de doença degenerativa aguda do cérebro. Prefiro a primeira hipótese, é mais romântica e termina de maneira menos brutal esse texto. O amor sempre será o melhor dos sentimentos, até quando transforma homens sãs, em homens loucos de amor.

Doutor sabe tudo.

Como existe no mundo gente que se acha! Da limonada com certeza será sempre o limão, coitado não sabe que a água e o açúcar também são importantes. Daquela salada de frutas ele será sempre a fruta mais nobre, quando muito a laranja, não sabe ele que tem muita gente que não gosta de ou de outro ou dos dois. Sempre a pensar que é a bala que matou Jonh Lennon esquece sem querer a arma e a mão que a conduziram. Sem titubear se vê a calda do pudim de leite, na certa esquecido dos ovos e do leite condessado que faz a gostosura. Para essas pessoas as outras nunca falam coisa com coisa, nunca serão capazes de entender o que os "gênios" pensam e muito menos o que eles dizem, além disso para os donos da verdade as pessoas que falam do que elas não gostam são sempre medíocres. E sempre tem aquela frase - não mereço ouvir isto! - Acorda gente! Somos todos aprendizes nesta vida e não importa quantos doutorados alguém tenha, sempre existirá um assunto que ele não domine e sempre existirá alguém que poderá ensinar-lhe alguma coisa. O melhor professor é a vida e esta ensina a todos sem distinção de classe, cor, credo, raça etnia e tudo o mais que parece diferenciar os humanos. Sempre que vejo alguém querer ser muito mais que os outros fico a pensar em algo que li sobre um certo doutor que perguntou ao caboclo nordestino - Onde vai esta estrada? Ao que o caboclo respondeu: a canto nenhum doutor, ela não anda! Pois é. Todos somos aprendizes de uma mesma professora. A vida. Existe ainda os que mesmo não sendo doutores agem como tal e até alardeiam que o são, não tendo a menor cerimônia pelos três a quatro anos que os doutores passam pesquisando para a conclusão de sua tese e suando frio na hora de enfrentar uma banca de examinadores para poder adquirir o título, mas mesmo estes, são doutores em algo e não em tudo. Seria bom que ao falar de algo que foi dito alguém tivesse a inteligência de não ser tão óbvio ao se achar o dono da verdade. Todos somos livres para gostar de algo, porém menosprezar ou desdenhar de alguém pelo simples fato de não gostar não é nada bonito.