sexta-feira, 22 de julho de 2011

A rosa, rosa

Bem no cantinho estava ela.

Linda! A mais bela entre as belas.
Toda vestida de rosa, tal qual a
jovem pura do reino encantado.
Do seu pedestal parecia apreciar
que todos a admirasse... Afinal
tinha nascido para ser admirada.
A natureza tinha se esmerado
nos seus detalhes. O trabalho
do criador fora perfeito.
Tudo nela era beleza...
Da sua rósea cor a sua pétala aveludada.
Cada pétala nela contida fora feita
para encantar quem a visse.
Que importava  os espinhos...
Não era para ser tocada.
Apenas admirada...

A Fada

Comecei a perceber que ela era uma fada, tão logo a conheci. Havia nela tão intensa luz,que com certeza, não seria desse mundo concreto. Não era possível existir ser mais celestial que aquele.
Ela tinha brilho próprio como se a sua volta houvesse um elo de luz. Parecia ser toda de marfim, mas os olhos tinham a cor do jade e os seus cabelos tinham sugado da abelha rainha sua cor dourada. Sua voz era um sopro divinal, parecia falar de amor a cada vez que aqueles lábios se distendiam para mostrar quanto perfeito eram aqueles dentes de marfins.
Terminada a inspeção e tendo decidido que estava diante de uma fada, restava-me saber o que fazer. Na verdade, não era uma situação que um mortal estivesse acostumado e, se tratando deste aqui, isso se tornava ainda mais complicado. Não estava preparado para assumir o papel de interlocutor de um ser sobrenatural, na verdade, falar, conversar não era muito a minha praia, eu quase sempre não me dava bem quando tinha que bancar o orador, mas... Já que não tinha outro para fazer o papel de otário, lá fui eu.
As pernas estavam hirtas e a língua parecia que tinha crescido tanto que a senti enrolar dentro da boca, as mãos tremiam que só dente de leite quando mole. Dei alguns passos, na verdade três e parei. Para chegar junto à divinal tinha que continuar. Juro que quis ir à frente, mas as pernas não obedeciam e o cérebro ficou exatamente congelado quando ela sorriu. Que sorriso! Era como se o sol da primavera estivesse invadindo o recinto e com ele trouxesse as flores mais belas e coloridas para alegrar o dia.
Confesso: não consegui andar mais, todavia isto não foi preciso. Aquele ser movimentou-se, o que fez a luz caminhar em minha direção e meu coração descongelar e acelerar tal qual o motor da Ferrari na última volta para ganhar o campeonato. Pareceu-me ter se passado horas até que, pela primeira vez ouvi o mais belo solfejo que alguém já escutou.
- Bom Dia. Por favor, estou perdida o senhor pode ajudar-me a encontrar este endereço?
- Oooooooo... end... ender... endere... endereçooooo?
- Sim. Este endereço aqui. O senhor pode me ajudar?
- Cl... clar...claro. Claro, posso sim.
- Onde?
- Onnnnde o queeee?
- Senhor! O senhor sabe dizer onde fica este endereço?!
- Seiiiiiiiii.... Posso lhe levar lá.
- Então, vamos...
- Onde?! Ah! Sim, vamos.
E caminhamos, ou melhor, eu caminhei a minha fada deslizou por sobre as flores que o Ipê amarelo jogou ao chão em meio a setembro.
Passamos por bosques e rios, cachoeiras e prados, castelos de sonhos e vi até uma cotovia se escondendo do sol, e ai chegamos ao endereço.
Na verdade era um endereço que eu conhecia bem. Ainda poucos dias tinha ali deixado um amigo que se acidentara. E alguns meses atrás aquela velhinha que morava em minha rua também tinha se mudado definitivamente para lá.
De repente, percebi que minhas pernas agora não obedeceriam mesmo e que o pânico tomava-me o corpo por inteiro. Meus dentes não eram mais de leite, se fosse eu não ouviria aquele bater de ossos que eles faziam sem parar. Minhas mãos estavam escorregadias e meus olhos fechados.
Claro, não abriria os olhos nem por ouro, nem por prata, nem por sangue de alazão!
Lembrei-me em tal má hora, que era noite e que não havia sol, que não podia ter visto flores de Ipê amarelo fazendo tapete no chão, nem tínhamos chegado a meados de agosto e a primavera começa em setembro. Em que dia mesmo...? Não importava. O que interessava mesmo é que era dia treze de agosto. Sexta feira treze. E para maior desespero o relógio da matriz a minha frente marcava doze horas menos um quarto!
Correria. Se eu tivesse minhas pernas, mas como não as sentia! Não via, não escutava e não sentia coisa alguma. Pensei por um momento - Virei estátua. Isto com certeza seria até bom. Evitaria o que quer fosse acontecer.
Mas como diz um amigo, depois do ruim vem sempre o péssimo e depois da tempestade nunca vem à bonança, meus sentidos resolveram voltar exatamente nas doze badalas do relógio episcopal.
Ao mesmo tempo em que abri os olhos, senti uma mão gelada tocar o meu rosto e uma voz gutural gritar:
- Acorda menino! Deixaste a janela aberta! O quarto está todo molhado. Se não fosse o despertador me acordar irias acordar todo molhado e pegar um resfriado!
Pegar um resfriado podia até ser que acontecesse.
Quanto ao molhado...
Fui tomar banho!

Louco Andarilho

Caminho vestindo farrapos...
Rumo ao norte ou sul, nascente ou poente.
Que importa o lugar? Oriente ou ocidente.

Sou andarilho de estilo andrajoso...
Prá onde vou indo vestindo farrapos?
Alasca, Suíça, Rio Grande ou Marrocos.

Qual o meu caminho? O ditado pela precisão!

Aos sãs de corpo e alma esmolo o meu pão.